Minha
primeira viagem ao Sítio do Sossego – Em Rio Dourado - Embaixadores do Rei
Por volta
dos meus dez anos minha mãe me escreveu nos Embaixadores do Rei na Primeira
Igreja Batista de Campo Grande e no Acampamento dos Embaixadores no Sítio do Sossego
em Rio Dourado.
Um prêmio a
minha dedicação ao evangelho e obediência a tudo que ela determinava.
Fiquei em êxtase,
mãe preparou minha mala para a viagem, deu-me vários conselhos, coisa de mãe.
Um dia antes
da viagem, mãe mandou-me para casa da minha vó Marieta na Tijuca, para que o
meu meio irmão, filho do meu pai com outra mulher, Tito, João Batista da
Conceição, me levasse para a estação Barão de Mauá, Leopoldina, ali, próximo à
Praça da Bandeira e Lauro Miller, ele tinha um carro, Packard, táxi.
Meu irmão
teve um chilique, disse que não ia me levar que aquilo não era para homem,
xingou os responsáveis pelo acampamento, mãe deu uma dura nele, se acalmou.
No outro dia,
levou-me da Rua Maria Amália, na Tijuca, à Estação de trem Barão de Mauá,
Leopoldina, na Av. Francisco Bicalho, no Centro do Rio de Janeiro.
“A Estação
Central da Leopoldina é uma construção de grande porte, inaugurada em 6 de
novembro de 1926. O edifício é um projeto do arquiteto inglês Robert Prentice,
atuante no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX.
A leitura da
fachada principal é um tanto prejudicada pela falta da ala esquerda que lhe
devia conferir simetria e completude. O aspecto externo é inspirado na
arquitetura palladiana inglesa. O espaço interior do grande salão é dominado
por uma abóbada de fina estrutura metálica. Além do interesse arquitetônico, o
tombamento se justifica também por sua importância histórica e por seu
significado urbano.
Em 15 de
novembro de 1924, tiveram início as obras do edifício. A estação da Leopoldina
Railway foi inaugurada sob o nome Estação Barão de Mauá, com muita propriedade,
numa justa homenagem a quem foi o pioneiro do transporte ferroviário nacional e
patrono das ferrovias brasileiras, em 6 de dezembro de 1926, sendo o Presidente
da República Arthur da Silva Bernardes e o Ministro da Viação e Obras Públicas
Francisco Sá.
A estação possui
130m de fachada principal e quatro pavimentos. (Extraído de ENEPAC)
A viagem
seria em Maria Fumaça, locomotiva a vapor.
“A
Locomotiva a vapor é uma locomotiva propulsionada por um motor a vapor que se
compõe de três partes principais: a caldeira, produzindo o vapor usando a
energia do combustível, a máquina térmica, transformando a energia do vapor em
trabalho mecânico e a carroçaria, carregando a construção.
O
vagão-reboque (também chamado "tender") de uma locomotiva a vapor
transporta o combustível e a água necessários para a alimentação da máquina.
As primeiras
locomotivas apareceram no século XIX sendo o mais popular tipo de locomotiva
até o fim da Segunda Guerra Mundial.
No Brasil as
locomotivas a vapor receberam o apelido de "Maria Fumaça" em virtude
da densa nuvem de vapor e fuligem expelida por sua chaminé, sendo que no final
do século XIX e início do século XX, os matutos e caipiras, davam-lhe o nome de
"Balduína", uma corruptela de Baldwin, a marca das locomotivas de
origem norte-americana, usadas à altura.
A primeira
locomotiva a rodar no Brasil foi a "Baroneza", que em 30 de abril de
1854 percorreu em pouco mais de 23 minutos o trecho de 14,5 Km entre o porto de
Mauá, no fim da Baía da Guanabara e a localidade de Fragoso, inaugurando a
Estrada de Ferro Mauá, a primeira do país e que adotava a bitola indiana
(trilhos com 1676mm de largura).
A viagem inaugural contou com a presença
ilustre do imperador do Brasil, Dom Pedro II”. (Wikipédia locomotiva a vapor)
Chegamos à Gare, estação ferroviária Barão de
Mauá, ficamos extasiados com a arquitetura da estação, amplo corredor, onde
acorria os passageiros que seguiriam para as estações de seus destinos, o nosso
embarque foi no fim do corredor junto à parede do lado direito, o nosso destino
Rio Dourado, após Casimiro de Abreu e o trem seguiria em frente, não tenho uma
ideia precisa, parece-me para Campos dos Goytacazes.
No horário aprazado,
a locomotiva chegou com seu ruído característico, soltando fumaças brancas e
espessas, como a informa sua presença imperiosa, linda, trazia os vagões em
qual viajamos.
Os
responsáveis pela nossa viagem, colocou-nos a postos para o embarque no vagão a
que nos era destinado, embarcamos, estava em ar de graça, algo para mim
inédito, seria a primeira vez que faria sozinho.
Os fiscais
da estação, que autorizam a partida do trem, começaram a apitar dando ordem de
partida, o maquinista deu partida a locomotiva, esta, soltou uma grande
nuvem de fumaça negra, o primeiro movimento do trem foi um forte solavanco para
frente, rompendo a inércia, apitou e seguiu em viagem, correu pelo meu corpo um
frenesi de pura alegria, encantamento e fascinação.
O trem
seguiu por um embaralhado de trilhos, ao passar sobre eles fazia um barulho que
parecia um grito estridente do aço de suas rodas ao raspar o trilho de
sustentação e direção, um silvo agudo.
O trem seguia
pela via de ferro com intrepidez, no lenga-lenga e na bela onomatopeia, “chega
mais, chega mais, chega mais, chega mais”, passamos por São Cristóvão, do lado esquerdo a
estação da Rede Ferroviária Federal, pelo lado direito, bem junto ao muro de
separação da via ferroviária com a rua Visconde de Niterói, a exuberante Quinta
da Boa Vista, antiga morada dos Imperadores D. Pedro I e II, um vistoso local
em que grande parte dos moradores do Rio de Janeiro passam suas horas de lazer,
belos e encantados jardins, o zoológico, com inúmeros animais da fauna brasileira
e estrangeira, o Museu, com variadas peças antigas e de enorme valor cultural.
Meu pai, enquanto vivo e minha mãe, levava-nos ao local. Quando adolescente e
jovem gostava de frequentá-la, participava
no parque de diversões, tinha preferência pela montanha russa, com suas estridentes
e barulhentas passagens sobre os trilhos sustentados por armação de madeiras, depois, já casado, levei meus filhos,
sobrinhos e minha filha primogênita com um ano. Num certo dia, houve um
concerto sinfônico, apresentado pela OSB, a sinfonia 1812 de Tchaikovsky, sendo
o Maestro Isaac Karabtchevsky, acompanharam os músicos na apresentação canhões
do Exército, fui com minha esposa, minha mãe, minha filha, minha cunhada,
Sandra, esposa de meu irmão Itamar e sua filha, minha sobrinha, Solimar.
Em 2018,
levei minha filha, Denise e o meu neto, o Theo, para visitarem o Museo Nacional,
passaram por memoráveis momentos de deslumbramento no que viam. Dias depois, ainda em 2018, por volta da
comemoração do aniversário de cinquenta e sete anos de minha despedida do
Colégio Batista Shepard, Rua José Higino, aproveitei para visita-lo e também o
Seminário Batista do Sul do Brasil, fui com minha filha, Nadejda, Naná e minhas
netas, Mylena e Naomy, após a visita ao colégio e seminário, fomos à Quinta da
Boa Vista, ao Museu Nacional, chegamos tarde, após a hora de funcionamento, não
conseguimos entrar, aproveitamos, tiramos fotos das alamedas, jardins, do lago
e da ilha. Um tempo depois houve, para todos nós, uma grande decepção, foi
quando o Museu pegou fogo e com ele uma perda inominável da cultura nacional
brasileira, quiçá internacional e indubitavelmente, frustrou muitos estudiosos
que ali encontravam objetos de suas pesquisas.
O trem
continuava o seu trajeto, “chega mais, chega mais, chega mais, chega mais”. Do
lado esquerdo a CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológico Celso Suckow da
Fonseca, local de alto aprimoramento em tecnologia.
Voltamos os
olhos para o lado direito, chegamos a um belo estádio de futebol, pista de
atletismo e pista de obstáculo militar e um charmoso prédio do quartel do 1GCan40AAe,
Primeiro Grupo de Canhões Quarenta Automático Antiaéreo, uma Unidade de Elite,
fazia junto as unidades militares, Companhia de Guarda Presidencial, Batalhão
de Polícia e a Quinta Brigada de Cavalaria, a segurança presidencial.
Foi onde deu
minha partida para o meu futuro profissional, onde aprendi amar a Pátria, a
família, os amigos, ser obediente, tratar todos com real afeição e camaradagem,
isso foi nos idos de 1962, quando me incorporei no serviço militar como soldado
do Exército Brasileiro, era um ano conturbado, tivemos de tomar guarda em
vários locais, no Edifício A Noite, onde transmitia a Rádio Nacional e nas suas
antenas de transmissão em Parada de Lucas. Tomamos guarda na Exposição Russa em
São Cristóvão, para evitar qualquer ato de ataque contra ela. Nesse mesmo ano,
em novembro, fui matriculado no Curso de Sargentos, na Arma de Comunicações no
quadro de Suprimento de Comunicações e Eletrônica, sendo, após a conclusão do
curso, transferido para o Parque de Manutenção e Depósito de Material de
Comunicações e Eletrônica, sediado em Triagem, na Rua Dr Garnier.
O trem
seguia seu curso, do outro lado, o esquerdo, Museu do Índio.
“O Museu do
Índio foi construído pelo Duque de Saxe, Luís Augusto Maria Eudes de
Saxe-Coburgo-Gota foi um príncipe alemão da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, oficial
da Marinha austro-húngara e almirante da Armada Imperial Brasileira, em
1862 e doado em 1910 ao Serviço de Proteção aos Índios, órgão
estatal comandado pelo Marechal Rondon, quando de sua criação, em
1910. O objetivo é que o espaço fosse uma área de preservação da cultura
indígena brasileira. Inicialmente, o prédio abrigou a sede do órgão federal, e
posteriormente, entre 1953 e 1977, abrigou o Museu do Índio, criado
por Darcy Ribeiro. Após essa data, o museu foi
transferido para Botafogo, Rua das Palmeiras”. (Wilkipédia).
Junto ao Museu do Índio e um pouco a frente, o
monumental, Maracanã e a antiga favela
do esqueleto, este esqueleto era de um hospital do INPS, depois de desativada a
favela, no local foi construída a Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
UERJ.
“Na década
de 1930, começou a ser construído no local um hospital do Instituto Nacional de
Previdência Social (INPS), porém as obras foram logo abandonadas, restando,
inacabado, um dos prédios. A favela começou a surgir logo após a construção do
Estádio do Maracanã (1950) bem ao lado, quando o terreno foi invadido.
Inicialmente, os barracos foram sendo construídos em torno do prédio inacabado
do hospital do INPS, chamado de "Esqueleto", que era a parte de
melhor terreno, mas, em poucos anos, a favela já era uma das maiores da cidade
e possuía uma enorme quantidade de tipos de barracos. Dos mais elaborados,
quase casas populares, passando por barracões de madeira bem estruturados, até
precárias palafitas em uma área pantanosa num dos braços do Rio Joana. Também
havia barracos do tipo apartamento dentro da estrutura abalada do Esqueleto,
que havia sofrido seguidos incêndios
Por ação do
então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, a favela foi removida no início
da década de 1960 e seus moradores foram assentados, em sua maioria, em um
conjunto habitacional recém-construído na Vila Kennedy, na época bairro de
Bangu, na Zona Oeste da Cidade. Em 1969, começou a ser construído, no local, o
campus da Universidade do Estado da Guanabara, aproveitando a estrutura
inacabada do hospital do INPS. O campus foi inaugurado em 1976, já com o novo
nome da universidade: Universidade do Estado do Rio de Janeiro”. (Wilkipédia)
Seguindo em
frente, dobramos para lado direito, junto ao morro de Mangueira, passamos a
antiga fábrica da Kibon.
Entramos paralelo a via da Estrada de Ferro,
apelidada de mata sapo, separamos dela em Triagem, ela segue em direção a
Vieira Fazenda, Tomaz Coelho, Cavalcante, Magno/Madureira, Rocha Miranda etc.
O nosso
trajeto é mais à direita, Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Magé, Rio Bonito,
Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Rio Dourado. Interessante que ao parar nas
estações, vinham crianças e adultos vendendo guloseimas. Não me lembro bem das
estações, atualmente veja algumas destruídas, como Rio Dourado. Casimiro de
Abreu um município bem desenvolvido, um belo Centro, tendo na praça principal,
uma estátua de Casimiro de Abreu em tamanho natural.
Em Rio
Dourado havia um caminhão e nos levou para o Sítio, chegando lá, era um lugar
deslumbrante, na entrada um conjunto de apartamentos, onde ficaríamos, havia,
mais abaixo, o pavilhão dos encontros, estudos e refeição. O local estava
encravado em um vale, onde serpenteava um córrego, mais abaixo, junto umas
pedras, uma piscina natural. Foram, sem dúvidas, momentos maravilhosos.
Mais tarde
fiz inscrição do meu filho, não era mais aquele local bucólico.
O nosso
retorno foi o mesmo da ida, nunca esqueci.
Ontem, por
um lapso, não informei adequadamente o trajeto da Maria Fumaça, durante a
madrugada, após um momento de grande emoção, lembrei-me que ao contornar a
entrada pela Mangueira e seguir em frente, passando por Triagem, não Vieira
Fazenda, atravessa o viaduto de Benfica por baixo, indo em direção a
Bonsucesso, Ramos, Duque de Caxias, Xerem, atravessa para Saracuruna, vai até
Rio Dourado e continua. Meu filho, lembrou-me que foi agraciado com o Título de
Acampante de Honra, recebeu um diploma e ganhou uma medalha por ser o primeiro
na natação.
Em 15 de
novembro de 1924, tiveram início as obras do edifício. A estação da Leopoldina
Railway foi inaugurada sob o nome Estação Barão de Mauá, com muita propriedade,
numa justa homenagem a quem foi o pioneiro do transporte ferroviário nacional e
patrono das ferrovias brasileiras, em 6 de dezembro de 1926, sendo Presidente
da República Arthur da Silva Bernardes e Ministro da Viação e Obras Públicas
Francisco Sá. A estação era uma construção de grande porte, com 130m de fachada
principal e quatro pavimentos.
“A Estação
Central da Leopoldina é uma construção de grande porte, inaugurada em 6 de
novembro de 1926. O edifício é um projeto do arquiteto inglês Robert Prentice,
atuante no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. A leitura da
fachada principal é um tanto prejudicada pela falta da ala esquerda que lhe
devia conferir simetria e completude. O aspecto externo é inspirado na
arquitetura palladiana inglesa. O espaço interior do grande salão é dominado
por uma abóbada de fina estrutura metálica. Além do interesse arquitetônico, o
tombamento se justifica também por sua importância histórica e por seu
significado urbano. O nome de Estação Barão de Mauá é uma justa homenagem ao
pioneiro do transporte ferroviário no Brasil”.
Extraído de
ENEPAC
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